quarta-feira, 6 de junho de 2012

Games, não proíba, classifique!


É bem verdade que tanto a mídia menos especializada quanto a sociedade mais leiga não possuem o mesmo hall de informações sobre electronic games feito desenvolvedores ou mesmo jogadores. Não é à toa, e por isso mesmo, que muitos jogos eletrônicos acabam, sem muita justiça, ou nexo causal, sendo responsabilizados como estimulantes de violência quando não cicuta de freak out entre o público mais jovem. Assim, propaga-se uma imagem negativa que não necessariamente condiz com a realidade e pode levar à proibição judiciária. A ideia que prevalece, por fim, entre a maioria da população é que os jogos não são arte: são [entretanto] brinquedos para um público adolescente e infantil.
De acordo com o art. 5º, inciso IX, da Constituição Federal, é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. O art. 220 reza que a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma: processo ou veículo – não sofrerão qualquer restrição, enquanto seu § 2º veda toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística. Desse modo, electronic games, por se tratarem de uma forma de expressão da atividade intelectual, ou até mesmo artística, deveriam gozar da mesma garantia fundamental assegurada aos outros tipos de obra audiovisual.
Um jogo não deve ser analisado por trechos chaves. A obra engloba a experiência como um todo, incluindo o elemento da interação por parte do jogador. O enredo de um jogo pode não somente dar uma nova conotação psicológica a um ato jogável como influenciar a Classificação Indicativa: que consiste em categorizar o conteúdo dos games conforme a faixa etária adequada e assim incentivar um limite razoável, como têm sido feito para qualquer tipo de obra audiovisual.


Creio que a Classificação Indicativa, juntamente com a cooperação dos núcleos familiares, é a melhor forma de regular os games. Essa medida dá um limite aos usuários, mas garante liberdade de expressão aos desenvolvedores, que poderão abordar qualquer tema em seus jogos, contanto que fiquem adequados para a idade indicada.
Conversei com o programador de games, João Bérgamo Neto, sobre jogos no Brasil.


Conte um pouco sobre sua carreira como desenvolvedor de games.
Formei-me em ciência da computação na UNIP, e já trabalhava na área de games desde os 18 anos. Porém, não com programação, e sim em uma Publisher de games aqui no Brasil. Nessa empresa fui promovido para a área de desenvolvimento de sistemas e tive certeza que queria programar games para o resto da vida. Pra isso, comecei a estudar a área. E com alguns cursos, consegui uma oportunidade na empresa que estou hoje, a MangoLabs. Não foi fácil, mas com um pouco de persistência e dedicação realizei um dos sonhos da minha vida. Que é trabalha nessa área.


Sabemos que o mercado de games no Brasil ainda está engatinhando. Como é ser um desenvolvedor de games no Brasil e qual a sua visão sobre esse mercado aqui?
O mercado está sim engatinhando, mas em pleno desenvolvimento. Todos os outros países estão de olho em nosso mercado, pois somos a grande promessa em games dos próximos anos. Inclusive, como citado pelo ilustrador Yoshitaka Amano da square-enix, o Brasil hoje é visto como o Japão dos games há alguns anos atrás. Pois temos muita criatividade e a situação do mercado esta propicia. O que nos falta é experiência. 
Trabalhar no Brasil nessa área não é fácil, pois as poucas empresas fixadas aqui, não acham mão de obra qualificada (exatamente pela falta de experiência) e, por isso, o Brasil por enquanto viverá de jogos mobiles ou pequenos. Dificilmente teremos um jogo grande de console nos próximos anos. O ponto positivo é que quem entrar no mercado agora gerenciará as empresas que crescerão no futuro. 


Você encontrou alguma dificuldade quanto à liberdade para se expressar nos jogos que desenvolveu?
Na verdade, toda a parte de expressão é feita pelo game designer, e não pelo programador. Porém, nada impede de darmos sugestões durante a criação do projeto e tendo isso em mente, não vejo problemas em que tipo de conteúdo colocar no jogo, como uma espécie de censura, mas, temos sim que filtrar algumas coisas dependendo do target que queremos acertar com o jogo. Afinal, não vamos colocar xingamentos ou intriga política em um jogo voltado para meninas de oito anos, certo? Pois não iria vender!

Você tem outros projetos em mente para o futuro?
Sim, vários. Nossa equipe está trabalhando em um projeto e já temos pelo menos dois engavetados pra começar assim que o atual terminar. Tendo uma equipe boa, nunca irá faltar ideias.

Qual a dica que você deixa para as pessoas que querem seguir a carreira de programação em games?
Estudem e muito. Matemática e física serão muito requisitadas nessa área. Cursos específicos de desenvolvimento de games também ajudam bastante. 
E para conseguir entrar na área, recomendo muito frequentar eventos de desenvolvedores que ocorre no Brasil e fazer contato com quem já está na área. Pois tendo algum conhecido dentro, ajuda muito em sua primeira contratação. 

Referência:
http://www.sbgames.org/papers/sbgames09/culture/full/cult12_09.pdf

Agradecimento especial à equipe da MangoLabs.

Um comentário:

  1. Para falar a verdade, acho que eles não tem o que fazer, porque se as crianças e adolecentes recebecem uma boa orientação desde pequenos não seria um jogo de tiro que mudaria a forma de agir, se crescecem sabendo o que é realmente bom e ruim não se deixariam por influenciar um jogo que como tantos outros mostra só o que estamos cansados de ver independente da idade.

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